sábado, 3 de agosto de 2013

É hora de largar o saleiro e ser o sal

"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido com que se há de salgar? Para nada mais serve, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens" Mateus 5:13. Interessante perceber o quanto Jesus fez uso de metáforas para ser melhor compreendido por seus ouvintes. Como palavras tão simples, soam tão profundas? Elas penetram na alma como espada de dois gumes, Hebreus 4:12; "Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração." E assim, com simplicidade e poder o que está escrito permanece para todo o sempre, revirando o interior do homem, provocando transformações. E quem quiser ser discipulo, deve largar o saleiro e ser ele mesmo o sal. Porque sem transformar a si mesmo, não há como transformar o mundo. É fácil relacionarmos a fala de Jesus sobre sal e discipulo, considerando que comida sem sal é insossa, sem gosto e discipulos de Jesus devem ser notados como pessoas que fazem diferença, "salgam" os ambientes. Simples. Mas dessa parábola, podemos extrair "outros saborosos pratos" que nos servirão de alimento . Assim, prossigamos a mergulhar nos aceanos da graça Divina em busca de sal para temperar nosso espírito. O sal Está presente em quase todo o planeta: oceanos, nascentes, subterrâneos, vegetação. Temos sal em todos os líquidos orgânicos: lágrimas,saliva, urina e no sangue, cujo teor é de 6,5 g de cloreto de sódio por litro. Respeitados os limites aconselhados pela profilaxia médica, o sal é-nos, assim, absolutamente indispensável, a nós e aos animais, em cujas rações também se inclui o sal. Além de cair bem ao nosso paladar, o sal é uma necessidade vital. Sem sódio, o organismo seria incapaz de transportar nutrientes ou oxigênio, transmitir impulsos nervosos ou mover músculos – inclusive o coração. Sal, salada, salário De tão essencial, o direito ao sal chegou a ser garantido pelo Estado. Os romanos, apesar de não manterem monopólio sobre o sal, subsidiavam seu preço para garantir que os plebeus tivessem acesso a ele. “Sal para todos” era um lema romano. Foi nessa época que surgiu a palavra “salada”, pois havia o costume de salgar os vegetais para amenizar o amargor de alguns deles. A ausência do saleiro numa mesa romana era um sinal de inimizade. Da mesma forma que deveria estar disponível para o cidadão comum, o sal era imprescindível para os legionários que conquistavam e mantinham o gigantesco império. Tanto que os soldados chegavam a ser pagos em sal, de onde vêm as palavras “salário”, “soldo” (pagamento em sal) e “soldado” (aquele que recebeu o pagamento em sal). Na Bíblia 2 Crônica 13:5 - Porventura não vos convém saber que o Senhor Deus de Israel deu para sempre a Davi a soberania sobre Israel, a ele e a seus filhos, por uma aliança de sal? Levítico 2:13 - E todas as tuas ofertas dos teus alimentos temperarás com sal; e não deixarás faltar à tua oferta de alimentos o sal da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas oferecerás sal. Marcos 9:49 – Porque cada um será salgado com fogo, e cada sacrifício será salgado com sal. (No juízo final). Gêneses 19:26 E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal”. Gêneses 19:26 E o sal nosso de cada dia Antigamente pela dificuldade de acesso e extração, o sal chegou a ter seu valor de mercado equiparado ao ouro. Acordos de guerra e paz foram selados à base dessa mercadoria. Indía e Inglaterra que o digam. O sal continua tendo muito valor, pois planeta sem sal equivale a planeta sem mar, mar sem àgua (?). Sal é vida, mas em sua quantidade ideal, perfeita como bem dosada por Deus. Nem em excesso, nem em falta. Coloquemos sal demais em qualquer alimento que o sabor se corrompe, amarga, estraga. E sem sal, sequer percebemos o sabor. Se o sal for insípido, disse Jesus, só servirá para ser pisado pelos homens. Parece uma contradição essa frase, como pode sal ser insípido? Pode, se o sal perder suas propriedades naturais, isso acontece quando a ele são adicionadas outras substâncias. Sal, serviu de salário, de remédio, de aliança. Serviu de parábola dita pelos lábios de Jesus para nos advertir sobre os males advindos da contaminação do mundo. Desde criança, sempre ouvi falar no poder curador do sal. Minha avô receitava banho de mar para sarar feridas. e essa função é comprovada pela medicina, uma simples receita de soro caseiro, contendo sal e açucar salva muitas vidas. Baseado no fato de que trabalhadores de minas de sal, têm maior resistência respiratória, foram desenvolvidos tratamentos à base de sal nessa área. Isso também nos diz sobre ser discipulo sal, aquele que cura vidas ao propagar a Palavra de Deus, o Evangelho de forma simples e genuína. Significa que algumas vezes, as feridas vão arder, vão sangrar mais, para deixarem de sangrar um dia. Ser sal da terra é conhecer os limites fronteiriços entre terra e água, é saber que é necessário "peneirar, filtrar, decantar" muitas coisas que podem deteriorar a essência. Assim como salário vem de sal, e trabalhador tem direito a justo salário, pode-se dizer que ser sal é praticar justiça e a Justiça, é Cristo (Rm 1:17). Paradoxo do sal Se sal é vida, cura, revelador de essências, também pode ser motivo de perdas e doenças. A falta e o excesso geram distúrbios. Discípulo de Jesus deve ser esse a andar pelo centro do caminho, de forma prudente e equilibrada, tal como foi advertido em certo tempo a Josué: "Não se desvie nem para direita, nem para esquerda" Josuè 1:7. Nem sal de mais, nem de menos. O mar que tem excesso de salinidade, chama-se Mar morto, dez vezes mais sal que os demais, por essa causa é impossível que haja vida em suas águas: nem peixes, nem plantas. O mar com escasses de sal, chama-se Báltico e fica na Alemanha, as descargas de água "doce" que recebe, causa uma diluição da água salgada e a temperatura da água, bem como suas condições adversas, proporcionam maior nível de poluição e o Báltico sofre com isso. Hipertensão é o que causa o excesso de sal no organismo. Já a falta de sal, ou sódio, no corpo humano, pode gerar Hiponatremia. O equilibrio dos níveis de sal é saúde. Da mesma forma, o equilibrio da quantidade de sal no planeta gera preservação, além disso vai e vem destruição. O sal que salga, na medida... E nos perguntamos: como saber a medida certa do sal, como ser o sal da terra sem falta ou excesso? Vejamos como funciona o processo de extração do sal: colheita da água do mar, concentração das águas, cristalização, retirada do sal e beneficiamento: Lucas 14: 34,35 " é o sal; mas, se o sal degenerar, com que se há de salgar? Nem presta para a terra, nem para o monturo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça." Se o sal fica parado em seu habitat natural ele preserva o meio mas não se torna próprio para o consumo. O sal da terra necessita ser beneficiado. Ser discipulo de Jesus, ser sal na medida certa, é esse que se cristaliza no processo de beneficiamento. Caso contrário, somente servirá para ser pisado. Discipulo sal da terra, sem excesso ou faltas é aquele que retirado da água (do batismo), da terra ( conversão), se cristaliza (purificação) para dar sabor a si mesmo e ao mundo. A medida certa é Cristo em nós porque ninguém é justo e bom, a não ser pela justiça de Cristo em si mesmo.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

ABURGUESAMENTO DA FÉ

Segundo alguns sociólogos e pensadores modernos, um dos fenômenos que surgiu após a segunda guerra mundial, foi o “aburguesamento dos despossuídos”, caracterizado pela substituição do “ser” pelo “ter”. Estabelecendo assim, como tendência cultural o endeusamento do mercado de consumo, onde a ideia era disponibilizar o poder de consumo para as pessoas, enquanto que, cada vez mais a capacidade de se humanizar, contemplar e aprofundar-se na existência tornar-se-ia pífia e ínfima. Uma vez que, todo homem é um ser cultural, quase sempre, de maneira normativa a vida passa pela concepção da cultura em desenvolvimento no tempo e espaço. É o chamado “movimento das massas”, que diretamente é afetada pelos meios formatadores de valores e significados relacionados à vida em sociedade. São inúmeras as provas de que a percepção, significado, e motivação de um povo (incluindo a igreja) são afetadas e influenciadas na maioria das vezes diretamente pelo momento histórico. Por exemplo, a reforma protestante em síntese foi uma resposta ao sincretismo religioso, alienação, e abusos cometidos pela igreja católica durante quinze séculos. Observe ainda que, no período da segunda guerra mundial as pregações de natureza escatológica tiveram um aumento significativo, ao mesmo tempo em que, o desenvolvimento da teologia da libertação na América Latina, aconteceu em decorrência a corrupção, desigualdade e injustiças sociais. É incrível como o cenário sociocultural pode alterar motivações, interesses e até mesmo a mensagem anunciada por algumas comunidades cristãs. De modo que, dentro do contexto religioso no Brasil, o protestantismo iniciou-se como um fenômeno missionário que objetivava o anúncio puro e simples do evangelho de Cristo Jesus. A realidade socioeconômica do Brasil no inicio do século 20 era ainda mais precária e subdesenvolvida, enquanto que, a mensagem da igreja era fundamentada na urgência da salvação e da esperança eterna com Cristo. A manutenção da visão missionária, como também da pregação pura e simples do evangelho permaneceu latente no coração da igreja brasileira provavelmente até o inicio da década de 80, quando teve inicio o movimento neopentecostal, exatamente no período em que, terminava a ditadura militar, e o Brasil começava a respirar novos ares da democracia. É no mínimo interessante observar que, no mesmo berço sociopolítico que abriu as fronteiras do mercado, para a entrada de mais capital e consumo, nasceu também o movimento religioso que afrouxaria os marcos doutrinários que sempre pautaram a vida da igreja. A convergência de fenômenos como: o estimulo ao capital e consumo, a abertura e flexibilização da mídia, aumento do poder de compra, e o desejo coletivo em consumir, proporcionaram o cenário ideal para o crescimento da teologia da prosperidade no Brasil. Sem que muitos percebessem a relativização de doutrinas bíblicas foram acontecendo, onde a vida espiritual para muitos evangélicos não estaria mais atrelada a piedade, santidade, amor e obediência a palavra de Deus, mas antes, ao poder de consumo, acumulo, e ostentação social. Aos poucos o culto centralizado em Cristo, foi sendo substituído pelo culto a personalidade humana, onde o centro seria o homem com suas demandas, urgências, mimos, e idiossincrasias de fieis alienados do evangelho, mas plugados na prosperidade material. Na sutileza do tempo, lideranças que prontamente se posicionaram contra o movimento da teologia do consumo, foram sendo vencidos pela ideologia daquilo que “dá certo” e não mais no principio bíblico do que “é certo”. De modo que, recentemente, estamos presenciando inúmeras comunidades cristãs se prostrando diante do altar da teologia da prosperidade, substituindo os cultos de oração, por culto da vitoria financeira, os encontros de ensino da palavra, por campanhas do consumo. Infelizmente, o “aburguesamento da fé” é uma realidade pós-moderna, e pode ser percebido nas compulsões de inúmeros evangélicos que substituíram a missão de anunciar o evangelho de Cristo, para conquistar em nome da “fé” coisas temporais e superficiais. Deste modo, outra vez, a história se repete, porém agora no contexto religioso, onde o aburguesamento acontece no campo do materialismo em nome da “fé”, ao mesmo tempo em que, o empobrecimento espiritual é notório através de vidas que afirmam ser discípulos de Cristo, mas que, revelam na praticidade da vida a superficialidade em relação ao conhecimento e submissão a vontade divina revelada pelas escrituras sagradas. Sendo assim, diante desta sórdida constatação, permanece inalterada uma das mais belas e significativas expressões bíblica que afirma: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo,” (Filipenses 3.8)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Policarpo – Um Pai da Igreja Cristã

Policarpo é uma figura célebre na história do Cristianismo. Um aluno direto do apóstolo João, Policarpo viveu entre 70 e 155 DC, ligando-o a ambos os apóstolos bíblicos e à era dos pais da igreja primitiva. Várias fontes antigas documentam as contribuições de Policarpo ao Cristianismo, incluindo suas cartas escritas para a igreja em Filipos, nas quais ele incentiva os membros a permanecerem firmes na sua fé e a fugirem do materialismo. Ele também instrui os membros quanto ao tratamento adequado de desonestidade financeira que estava se infiltrando na igreja. Policarpo serviu como bispo da igreja em Esmirna (moderna Izmir), e foi reconhecido como um dos primeiros combatentes das heresias Cristãs. Ele rejeitou os ensinamentos de Marcião, um herege influente que tentou criar um "novo" Cristianismo através da redefinição de Deus e da rejeição dos ensinamentos do Antigo Testamento. Em sua tese bastante conhecida, Policarpo combate heresias gnósticas que estavam começando a se espalhar por toda a igreja Cristã. Policarpo - Um Mártir pela Verdade A maior contribuição de Policarpo ao Cristianismo talvez tenha sido a sua morte como mártir. Seu martírio se destaca como um dos eventos mais bem documentados da Antiguidade. Os imperadores de Roma tinham desencadeado ataques cruéis contra os Cristãos durante este período, e os membros da igreja primitiva registraram muitas das perseguições e mortes. Policarpo foi preso sob a acusação de ser um Cristão - um membro de uma seita politicamente perigosa, cujo crescimento rápido precisava ser interrompido. Em meio a uma multidão enfurecida, o procônsul romano teve pena de um homem tão velho e gentil e insistiu que Policarpo clamasse: "César é Senhor". Se apenas Policarpo fizesse esta declaração e oferecesse uma pitada de incenso à estátua de César, ele escaparia da tortura e da morte. A esta proposta Policarpo respondeu: "Por oitenta e seis anos tenho servido a Cristo, e Ele nunca me fez nada de errado. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou?" Firme em sua posição por Cristo, Policarpo se recusou a comprometer suas crenças e, portanto, foi queimado vivo na fogueira. Policarpo - Um Testemunho Relevante às nossas Vidas O martírio de Policarpo é uma realidade histórica. Ele morreu por um motivo - sua fé inabalável no Senhor Jesus Cristo. No entanto, a morte bem documentada de Policarpo é apenas uma das muitas vidas que foram dadas para revelar e proclamar a verdade de Jesus Cristo. À luz das mortes cruéis e tortuosas dos Cristãos da primeira e segunda gerações, todas as teorias de que o Cristianismo seja apenas um mito fabricado, criado para o ganho pessoal de seus seguidores, devem ser rejeitadas. Ainda hoje, muitos estão dispostos a morrer por uma crença, mas ninguém vai morrer por uma mentira. Deus permite que seus santos morram, não porque Ele seja um senhor impotente ou indiferente, mas porque suas mortes são declarações poderosas do dom gratuito da vida que nos é oferecida através da Pessoa de Jesus Cristo. Se você tiver alguma dúvida sobre a verdade de Cristo como revelada na Bíblia, reexamine o texto bíblico à luz da morte intencional de quase todos os seus escritores, homens que foram testemunhas oculares da vida e ministério de Cristo. Policarpo, como muitos outros Cristãos até hoje, só foi capaz de morrer por Cristo porque ele viveu para Cristo. Sua vida foi radicalmente transformada pela obra do Espírito Santo - os desejos, preocupações, dores e medos deste mundo já não mais restringiam-no. A vida e morte de Policarpo constituem um exemplo inspirador para todos os Cristãos. Ele deu a sua vida terrena por Cristo e, no meio do seu sacrifício, ganhou a vida eterna.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

SER OU TER... EIS A QUESTÃO

Pegando carona na célebre frase de William Shakespeare (dramaturgo inglês 1564-1616), em uma de suas peças: “Ser ou não ser? Eis a questão!” Quero abordar com poucas palavras um assunto polêmico em nossos dias que é a Teologia da Prosperidade (cura). Importada dos Estados Unidos, e propagada no Brasil principalmente por grande parte das igrejas do movimento neo-pentecostal. Antes, quero frisar que Deus realmente cura e prospera, porque isto é bíblico, porém este não é o Seu objetivo principal, até porque a Bíblia coloca cura e prosperidade como conseqüências benéficas de um relacionamento íntimo com Deus, assim sendo, não há necessidade de se reivindicar nada. No entanto, a preocupação com esta Teologia surge porque muitos crentes têm alicerçado sua crença e seu relacionamento com Deus interessados naquilo que Ele pode proporcionar e não naquilo que Ele pode ser em suas vidas. Este ensino caiu como uma luva nas mãos de líderes sem escrúpulos, que aproveitam se do fato do Brasil ser um país com característica consumista, em que o supérfluo tem mais valor que o essencial, além das grandes distorções sociais, em que bolsões de riqueza e pobreza caminham lado a lado. Para este tipo de Teologia, o trecho bíblico de Mateus 6:33 já não é interessante, porque nele Jesus nos garante o sustento de nossas necessidades básicas, que são comer, vestir e morar. No livro Super-crentes, do Pr. Paulo Romeiro há um comentário do pastor Caio Fábio em que diz: "À medida que se parte para a ênfase do ter, perde-se o ser. Isso porque a fé cristã é baseada totalmente no ser.” Em Hebreus 11:1-40 afirma se a fé. Neste texto, até o versículo 34, relata se aqueles que foram (ser) e tiveram (possuir, conquistar), como Abraão, que foi e teve... No entanto, a partir do 35, relata-se aqueles que foram, mas não tiveram... Vejo irmãos adeptos a teologia da prosperidade afirmando a garantia do ter. Então, peço que leiam Hebreus 11, tentando mostrar-lhes que a fé profunda e genuína nem sempre é a fé que garante o ter, mas é sempre a fé que garante o ser. O mais interessante é que somente do versículo 35 em diante fala se dos homens dos quais o mundo não era digno. Com isto, não afirmo que não possamos ter. Ao contrário, o próprio texto de Hebreus mostra que é possível e bom “ser e ter”. No entanto, quando a busca do,“ter” é o alvo da vida, o ‘ser” se desvanece". Hendrik Hanegraaff também tece um comentário a respeito: “Muitos são atraídos para a mesa do Mestre não para ter comunhão e intimidade com Ele, mas para desfrutar do que está sobre ela". Charles R. Swindoll também comenta: "Falando de forma geral, há dois tipos de testes na vida: a adversidade e a prosperidade. Dos dois, o último é o mais difícil. Quando a adversidade chega, as coisas se tornam simples: o alvo é a sobrevivência. É o teste de manter o básico, como comida, roupa e moradia. Mas quando a prosperidade chega, cuidado! As coisas se complicam. Todos os tipos de tentações sutis chegam também, exigindo satisfação. É em tal circunstância que a integridade da pessoa é colocada à prova".E eu ainda acrescento: "Na prosperidade, os amigos nos procuram, mas na dificuldade, nós os procuramos (e muitas vezes não os encontramos)". Juntamente com o ensino da prosperidade, outros são agregados, pedindo satisfação da nossa fé,e nos enredando em caminhos perigosos. Nestes últimos tempos, tenho percebido líderes que, devido ás suas conquistas, muitas delas com mérito, se exaltam em discursos inflamados dizendo: “eu fiz, eu faço” e “eu fui, eu sou”, fazendo propaganda mais de si mesmo do que de Deus, e assim desconsiderando o valor da graça de Deus em suas vidas. Nestes discursos, enfatizam-se mais o que eles fazem para Deus, do que aquilo que Deus fez e faz por nós. A propósito, ninguém pode ser bom e fazer o bem, a não ser que a graça de Deus o torne primeiro bom; e ninguém se torna bom por meio das obras, mas as boas obras são feitas por aquele que é bom. Assim também os frutos não fazem a árvore, mas a árvore produz os frutos... Portanto, todas as obras, não importam quão boas e quão belas sejam, serão vãs se não tiverem origem na graça.

sábado, 13 de outubro de 2012

EVANGELHO? QUE EVANGELHO?

"A apatia está em toda parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que, quanto mais curto, melhor" "Haveria Jesus de ascender ao trono por meio da cruz, enquanto nós esperamos ser conduzidos para lá nos ombros das multidões, em meio a aplausos? (...) se você não estiver disposto a carregar a cruz de Cristo, volte à sua fazenda ou ao seu negócio e tire deles o máximo que puder, mas permita-me sussurrar em seus ouvidos: 'Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?'" "Estão as igrejas vivenciando uma condição saudável ao terem apenas uma reunião de oração por semana e serem poucos que a freqüentam?" "O fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração, danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada, podemos, ao menos, prevenir os homens quanto à sua existência e suplicar que fujam dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto, não é surpresa que as pessoas busquem outras coisas que lhe tragam satisfação.Na falta de pão, se alimentam de cinzas; rejeitando o caminho do Senhor, seguem avidamente pelo caminho da tolice" . "Não há dúvidas de que todo tipo de entretenimento, que manifesta grande semelhança com peças teatrais, tem sido permitido em lugares de culto, e está, no momento, em alta estima. Podem essas coisas promover a santidade ou nos ajudar na comunhão com Deus? Poderiam os homens, ao se retirarem de tais eventos, implorar a Deus em favor da salvação dos pecadores e da santificação dos crentes?" Hoje, os seguidores da "nova onda" revoltam-se contra os que defendem o evangelho de Cristo. Mas o que diriam eles destas palavras que foram ditas por Spurgeon? pregador inglês Charles Haddon Spurgeon nasceu em 19 de junho de 1834 e começou a pregar em 1850. Ele, que tem sido considerado o príncipe dos pregadores, pregou o evangelho de Cristo e combateu heresias e modismos de seu tempo até 1892, quando partiu para a eternidade. As citações acima(de sua autoria) deixam-nos com a impressão de que ele se referia aos trabalhosos dias em que vivemos...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Propaganda eleitoral na igreja é crime

Estamos ativamente na corrida eleitoral, onde iremos escolher os novos rumos da cidade de Simões Filho, e como você já deve saber, algumas igrejas evangélicas (e também católicas ou de outras vertentes) têm como costume ceder o púlpito para candidatos discursarem. Toda véspera de eleição é comum ver o altar se transformar em palanque e as portas dos templos se abrindo para toda classe de charlatanismo. Basta às eleições se aproximarem, que se torna absolutamente comum, candidatos transformarem os altares das igrejas em palanque eleitoral, afirmando que receberam um chamado especial da parte de Deus para se candidatar a algum cargo público, abusando da confiança que fiéis têm neles pra conseguir votos. O discurso é sempre o mesmo: o nome de Jesus e o linguajar emocional. Ser pastor, líder religioso, e deter um cargo político, ao mesmo tempo, não dá. Cometem o primeiro ato de corrupção quando induzem seus fiéis a ajudar na candidatura para ganhar cargos políticos. E depois se atolam na mesma lama dos corruptos a quem deveriam mostrar o exemplo. É necessária muita cautela nesse tempo eleitoral. Os políticos já deram conta que a comunidade evangélica é dona de muitos votos. Nem todos sabem, mas segundo a Lei 9.504/97 e de acordo com o artigo 13 da resolução 22.718/2008, do Tribunal Superior Eleitoral é proibida a propaganda eleitoral, impressa ou verbal, nos templos religiosos, e o desrespeito a esta regra pode acarretar a aplicação de multa de até R$ 8 mil. Sendo assim, se você notar que estão usando sua igreja como curral eleitoral, DENUNCIE. Precisamos dar um basta nessa politicagem dentro dos templos. Igreja é lugar de louvar a Deus! Distribuir santinhos, fazer o púlpito de palanque eleitoral e colocar cabresto no eleitor é uma atitude criminosa. Para denunciar a politicagem na sua igreja, basta procurar a delegacia ou o cartório eleitoral.

sábado, 2 de junho de 2012

Entre ovelhas e currais eleitorais

Há algumas décadas a política era demonizada por muitos evangélicos, hoje para a maioria deles é o caminho para implantação do Reino de Deus, do qual os pastores são os maiores representantes. Não é pequeno o número de clérigos que ultimamente têm ingressado na carreira política em “nome de Deus”. A mudança de mentalidade ainda em andamento no Brasil, no meio evangélico, concernente ao cristão e à vida pública é muito benéfica. Não podemos estar alheios à política, somos cidadãos dos céus, embora também brasileiros mas o que pensar sobre pastores que estão ingressando em carreiras políticas? Muitos pastores que se candidataram nas últimas eleições afirmaram o estar fazendo devido a uma vocação divina. O que percebemos hoje é que a maior parte deles não conseguiu ser eleita. Diante desse fato concluímos: ou Deus mentiu para eles ou eles mentiram para a igreja. Admitir que Deus os chamou para serem políticos mas não permitiu que eles fossem eleitos é extremamente contraditório. Esses homens estão no ministério, segundo eles, pela vontade de Deus. No entanto, muitos têm abandonado a carreira para serem homens do governo. Qual a vontade de Deus para eles afinal? Em sua mentalidade está a certeza de que podem conciliar o ofício pastoral com a vida política. Pensam que estar no ministério é pregar aos finais de semana e administrar a igreja à distância. Ao contrário, o ministério exige disponibilidade de tempo e entrega de vida. Um sermão não é uma palavra “inspirada” na hora, nem fruto apenas de uma boa ideia, é resultado de um estudo sério das Escrituras e de um caráter forjado por Deus. Pastorear é estar com as ovelhas e para isso é necessário tempo. Ter uma função parlamentar não é apenas cumprir os horários e participar das votações e reuniões, mas viver uma vida árdua e com uma agenda extensa. Logo, a concomitância nas duas carreiras levará à mediocridade em ambas. Tais indivíduos profanam o serviço pastoral por duas razões. Primeiro por abandonarem a graça sublime do ministério pastoral, pois abdicam da vontade original de Deus por interesses pessoais. Segundo, por fazerem da igreja, direta ou indiretamente, um curral eleitoral. Em princípio, estamos falando nesse texto sobre pastores, mas não é pequeno o número de lobos e falsos profetas infiltrados no rebanho. Assim que as eleições chegam eles retiram suas vestes de pastores e revelam seus reais interesses: angariar os votos dos fiéis e usá-los como difusores de sua campanha eleitoral em nome da fé e em troca de “grandes galardões nos céus”. Seria bom ver, nas próximas eleições, cristãos capacitados concorrendo a cargos públicos. Seria bom vê-los ganhar com a graça de Deus. Mas faça um favor ao seu pastor que se iludiu com os poderes desse mundo: não vote nele! Ajude-o a lembrar para qual propósito Deus o escolheu.